Carpe Diem

Mas se você escutar bem de perto, você pode ouvi-los sussurar o seu legado. Vá em frente, abaixe-se. Escute, está ouvindo?  Carpe  ouve? - Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas."  A frase em latim do filme "A Sociedade dos Poetas Mortos"   veio de um poema de Horácio, o qual  popularmente é traduzida para colha o dia ou aproveite o momento.  “Carpe Diem” também é  uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como  justificativa para o prazer imediato.

 Diante de fatos irreversíveis  como o dramático acidente com o vôo 447, da Air France, é reacendida nas pessoas uma espécie de síndrome da morte, do medo,  das possibilidades, e sobretudo da comoção.

Ligamos o computador ou tv procurando histórias do 447,  sobre a dor das vítimas, de quem ficou e não fugindo da nossa essência humana com egoísmo pensamos  que poderia ser um de nós ou dos nossos. Soma-se a isto o novo medo que nasce para todas as vezes que iremos voar,  uma  culpa que durará  no máximo um mês ao regressar a normalidade deixaremos a memória avivar apenas  quando passar na tv a retrospectiva dos fatos marcantes do ano.

Não pensamos que as estáticas mostram que acidentes automobílisticos causam mais vítimas que acidentes aéreos, claro que  nada justifica a dor de uma tragédia desta proporção para vítimas e famílias, afinal são  vidas interrompidas .

Esquecemos porém que  cedo ou tarde a morte nos aguarda, sentados, andando ou dormindo, o diferencial  é  parar e refletir sobre o que fazer com o resto de suas vidas até o dia da partida  porque em nome do egoísmo com desejos divinos prolongamos em pensamento nossas vidas de forma centenária. 

Assistimos  de forma mórbida  como capítulos de novela  a dor das famílias das vítimas do 447, como fizemos com a menina Isabela e tantos outros casos trágicos. Podemos ainda optar por outro caminho nos colocando no lugar de todas as pessoas que morreram,se tivessem alguns minutos a mais o que escolheriam dizer,fazer, ou lembrar?

Em memória as vidas interrompidas deveríamos  desligar os botões que nos impulsionam de forma compulsiva e ritmo frenético para não ter tempo de nada, pra nada e nem pra nada.  É tão fácil ouvir o carpe diem, pena que a vida nos cobra uma urgência desnecessária, tanta burocracia e nada de colher o dia, nada de tempo para a família,amigos, amor. Já parou para pensar em qual foi a última vez que  jogou tudo pro alto?   Não se esqueça da canção do Scorpions ”Life is to short”,  e não se engane é a vida e não a morte  que não tem limites, por isso viva  como um estado de graça, sem a obrigação de meio para nada, e sim origem e fim em si mesmo.   Como diz o grande Gabriel Garcia Marquez : “Os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz,e sim que a vida os obriga outra e muitas outras vezes a se parirem de si mesmos."



Escrito por blogceliasouza às 22h17
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